JC (?) - CRENTE, FALE COMO GENTE (COMUM)!



CRENTE, FALE COMO GENTE (COMUM)!

Uma coisa que me incomoda muito é a linguagem piegas usada por alguns crentes em todos os momentos, em todo lugar e com qualquer um. Vou explicar: quero falar, dar algumas dicas e arrazoar um pouco sobre algumas expressões do famigerado “evangeliquês” atual que me incomodam (acredito que não sou o único!).
-CUMPRIMENTOS: “Paz do Senhor”, “Paz” e “Graça e Paz”: Faça-o com uma convicção de que deseja a verdadeira paz sobre o outro a quem remete a saudação (e entre crentes ou no âmbito eclesial, preferencialmente). Caso contrário, use o simples “Bom dia/tarde/noite”, “Tchau/Adeus/Até logo”, “Olá, tudo bem?”. Você não será menos espiritual por isso.
INTERJEIÇÕES: Se algo der certo, não há problema em dizer “Que bom!”, “Maravilha”, “Ótimo” etc. Muitos irmãos usam o “Glória a Deus” para qualquer coisa. Se tornou algo banal e sem nenhum valor. Lembre-se: dar “glória a Deus” não é o mesmo que pronunciar oralmente a expressão G-L-Ó — R-I-A A D-E-U-S, mas reconhecer que o sucesso, poder e conquista não pertence a nós, mas a Deus que concede a quem quer (At 12.23).
Agora você já sabe: quando comprar pão e o atendente/padeiro disser “obrigado, caro cliente” — você não precisará mais responder ao homem com um sonoro “Amém”, pois a padaria não é uma igreja, o padeiro não é o pastor e você não é ovelha dele. Apenas diga: “de nada”. E Deus será glorificado pela sua educação.
-DESCONTENTAMENTO: Você não precisa vencer o seu descontentamento com “Tá amarrado, Satanás”. Isso não tem qualquer poder contra o diabo. O inimigo das nossas almas não fica mais fraco, incapacitado ou intimidado quando pronunciamos essas palavras mágicas. Quando a Bíblia fala da nossa batalha espiritual em Efésios 6.13–20, o contexto do capítulo descreve uma vida inteira de sobriedade e piedade no dia a dia: obediência aos pais (v.1), correto relacionamento dos pais com os filhos (v.4), correta relação nos deveres do trabalho/emprego do crente (patrão ou empregado — v.5–9). O capítulo anterior fala da forma correta de relacionamento cristão entre o marido e a esposa (i.e. autoridade amorosa do homem e submissão voluntária da mulher — Ef 5.22–33). Alguém que vive o cristianismo equilibrado de Ef 5–6, certamente, será temido pelo diabo, e não aquele que apenas pronuncia palavras de repreensão e afronta contra o diabo, coisa que nem mesmo o Arcanjo Miguel ousou fazer (Jd 9).
NOMEAR OUTROS: Chame as pessoas pelo nome. Isso não é feio ou menos piedoso. Os apóstolos bíblicos citavam normalmente os nomes das pessoas (cf. Rm 16.3 — Priscila e Áquila; 1 Co 4.6 — Apolo; 16.17 — Estéfanas, Fortunato e Acaico; 3 Jo 1 — Gaio; v.9 — Diótrefes). Não há problema é chamar outro crente de “irmão” (e.g. irmã Febe — Rm 16.1), mas se alguém não tem essa prática isso não significa que é espiritualmente frio. É algo opcional.
Há mais algo a dizer sobre isso: ser chamado de “varão”, “varoa”, “vaso” etc. é doloroso aos ouvidos de alguém estranho à igreja. Essas expressões vieram até nós através das traduções bíblicas mais antigas (e.g. Almeida Revista e Corrigida), mas não precisamos fazer o mesmo uso no ocidente, e em pleno século XXI. Isso não é ser infiel ao que a Bíblia diz; mas a fidelidade será o uso do bom senso e a sensibilidade na aplicação dos princípios bíblicos de comunicação para os nossos dias. Até mesmo muitos crentes não gostam de ser chamados assim. No meu caso, prefiro mil vez que alguém me chame pelo nome de batismo.
Assim, como você não sabe quem gosta ou não, evite. Isso é bom para outros, além de ser um bom testemunho de que o crente não é um extraterrestre com linguagem e guetos excêntricos.
Há ainda outras coisas que poderiam ser ditas sobre o assunto. Uma delas é o grande risco de banalizarmos a linguagem bíblica diante dos incrédulos, além do recorrente pecado contra o terceiro mandamento (i.e. sacrilégio contra o nome de Deus ou qualquer coisa santa em que Ele se faz conhecido — Ex 20.7).
Que Deus possa nos ajudar a ter “uma linguagem sã e irrepreensível” (Tt 2:8), porém, que não confundamos mais linguagem piedosa com “pieguice”. Deus nos chamou para sermos DIFERENTES, e não ESQUISITOS.
- Evandro Junior
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